Dúvidas Frequentes

Cirurgia Ortognática

O que é cirurgia ortognática?

A cirurgia ortognática é a cirurgia buco maxilo facial que tem como objetivo principal a correção das deformidades dento-faciais, resultantes de algum tipo de falha no posicionamento das arcadas dentárias e ossos da face em relação à base do crânio, interferindo na aparência estética dos pacientes, na respiração, deglutição e comprometendo muitas vezes o funcionamento correto dos maxilares.

O que é necessário para diagnóstico e planejamento do tratamento ortodôntico/ ortognático?

Para que possamos estabelecer um diagnóstico de cada caso devemos proceder com uma avaliação clínica detalhada do ponto de vista dental (tipo de oclusão do paciente), esqueletal (baseado na cefalometria) e estético através da documentação ortodôntica.
As fotos extrabucais ou faciais nos orientam quanto à estética; a radiografia panorâmica quanto aos aspectos clínicos dentais (dentes inclusos, dentes com lesões cariosas e problemas periodontais); as telerradiografias laterais nos possibilitarão uma análise cefalométrica com traçados (“Rickets”, “USP”, “McNamara” são as análises mais comumente utilizadas) indicando as proporções e harmonias maxilo-mandibulares analisados em relação à base do crânio e entre si. A análise assume sempre um caráter tridimensional.

Com que idade ou em que época posso realizar esta cirurgia?

A cirurgia pode ser realizada em pacientes em que se tenha previsibilidade no crescimento facial ou preferencialmente em pacientes que já tenham cessado este crescimento. Em mulheres, 1 ano após a primeira menstruação. Nos homens, em torno de 18 a 21 anos.
Podem ser solicitados e avaliados exames subsidiários que podem identificar se já cessou o crescimento facial.

Em que casos se podem indicar uma cirurgia ortognática?

- excessiva exposição dental e/ou aumento vertical de maxila ou não conseguir manter os lábios fechados (dificuldade de selamento labial);
- síndromes diversas;
- seqüelas de traumas faciais;
- estética facial desequilibrada;
- ronco e apnéia do sono (S.A.O.S.),
- micrognatismo ou retrognatismo: situação clínica em que a mandíbula apresenta tamanho menor do que a maxila. Esta deformidade é conhecida como classe II de Angle;
- prognatismo: a mandíbula é maior do que a maxila. Esta deformidade é conhecida como classe III de Angle;
- assimetria: os maxilares apresentam desvios em relação à linha mediana do paciente podendo ser para a direita ou para a esquerda;
- deficiência transversal: a maxila está menor que a mandíbula no sentido horizontal;
- mordida aberta: os dentes superiores anteriores não se aproximam dos dentes inferiores anteriores;
- mordida profunda: os dentes inferiores anteriores encostam no palato do paciente.

Qual é a sequência de tratamento para realizar a cirurgia?

Ortodontia: com o objetivo de obter um alinhamento e nivelamento dental dentro das bases ósseas, rever as curvas de compensação dentais (Spee e Wilson), a inclinação do eixo dos dentes anteriores em relação à base óssea e a distância adequada do eixo transverso entre os primeiros molares. Todo o planejamento cirúrgico é discutido com o ortodontista. A proposta é de um tratamento conjunto, em que o ortodontista participa ativamente.

Exodontia de terceiros molares: (pelo menos 6 meses antes do procedimento principal) com o objetivo de facilitar as osteotomias maxilares e mandibulares.

Avaliação com um otorrinolaringologista a critério, para eventuais cirurgias no nariz, objetivando facilitar a respiração e reorganização foniátrica, adequando a musculatura facial e mastigatória.

Moldagem a cada três meses para avaliação oclusal ortodôntica, acompanhando o tratamento preparatório e orientando o ortodontista.

Quando os trabalhos ortodônticos estiverem concluídos, iniciaremos os procedimentos operatórios. O entrosamento entre o ortodontista e o cirurgião será de fundamental importância.

Preciso realmente usar aparelho ortodôntico e caso necessário, por quanto tempo?

Sim, é preciso quase em todos os casos realizar a ortodontia em conjunto com o tratamento cirúrgico.
Geralmente dentro da seguinte sequência: ortodontia inicial que pode ter um tempo de 4 a 18 meses de preparo ortodôntico antes da cirurgia. Realização da cirurgia com o aparelho instalado. E depois, aproximadamente mais 10 meses para realizar o término do tratamento ortodôntico, chamado também de “refinamento ortodôntico”.

O plano de saúde cobre esta cirurgia?

Nem sempre. Porém, orientado pelo cirurgião, pode-se enfatizar a natureza funcional deste procedimento e tentar a liberação. Normalmente, os convênios médicos cobrem toda a parte hospitalar, custos de material, anestesista e medicações.
Existe custo com a parte odontológica do procedimento. Os convênios odontológicos não cobrem esta cirurgia. Seguradoras e convênios que dão direito a reembolso, dependendo do caso, também poderão ser utilizados.

É possível se realizar esta cirurgia em consultórios ou clínicas?

Não. Só é possível de ser executada em hospitais.
Esta cirurgia necessita de anestesia geral.

Caso não opere, posso piorar ou ter algum problema futuramente?

Cada caso deve ser analisado isoladamente. Mas no geral, os problemas podem se agravar, ocasionando mordidas mais alteradas, problemas periodontais, roncos, apnéias, perdas dentárias, alterações de postura lingual, respiratórias e dores ou disfunções de ATM. Vale lembrar que se trata de uma alteração de desenvolvimento, evoluindo ativamente por toda vida.

Após a cirurgia, o tratamento está finalizado?

Não. Devem ser feitas consultas de controle com o cirurgião de rotina.
O tratamento ortodôntico também deve continuar.
Existe necessidade de avaliação e condutas com uma fisioterapeuta e com uma fonoaudióloga, que auxiliarão na melhora do edema e recuperação funcional do paciente.
Uma avaliação com um “otorrino” também é essencial e obrigatória em até 1 ano após a cirurgia, adequando o padrão respiratório em vias aéreas superiores (obstruções nestas vias são as principais causas de alterações dento-esqueletais).

A cirurgia deixa cicatriz na face?

Não. Ela é feita toda por dentro da boca.

Existe risco nesta cirurgia?

Como todo e qualquer procedimento cirúrgico, algumas complicações são possíveis, embora não freqüentes. Assim, parestesias (perda de sensibilidade) em lábios, sangramentos, edema ou inchaços, fraturas indevidas, recidiva pós-cirúrgica, tratamentos de canal por necrose pulpar, infecções, disfunções de ATM, incisões em face e osteomielites podem ocorrer. Todas elas são de tratamento possível e enfatizo que são raras de ocorrer.

Que material é utilizado?

Normalmente são colocados para fixação das osteotomias, placas e parafusos de titânio não absorvíveis, que podem ficar fixados sem problema algum ao osso do paciente por toda a vida.

Sinto que estou piorando com a ortodontia. É assim mesmo ou existe algum problema?

Normalmente não existe problema. Pelo contrário, o ortodontista com o aparelho ortodôntico, reposiciona os dentes nas bases ósseas, o que resulta muitas vezes em uma piora da oclusão e consequentemente na estética facial.
Este fato deve ser esclarecido ao paciente, fazendo-o entender que tal correção se dará no momento cirúrgico e que, portanto, trata-se de uma piora transitória.

Em quanto tempo estarei recuperado da cirurgia?

No geral, o paciente apresenta uma melhora significativa entre 2 a 4 semanas pós-operatória. A melhora total, sendo liberado para todas as suas atividades, inclusive esportes, ocorre em torno de 4-5 meses pós-cirúrgicos.

Quais os benefícios deste tratamento ortodôntico e cirúrgico?

- melhora da relação entre os dentes, músculos e esqueleto;
- melhora da respiração;
- melhora do posicionamento da musculatura do pescoço;
- melhora no posicionamento da língua;
- melhora na fonação e na articulação das palavras;
- melhora da oclusão;
- melhora da mastigação;
- melhora no relacionamento social.

Perguntas e respostas elaboradas pelo Dr. Denis Pimenta e Souza.
O Dr. Denis Pimenta e Souza é especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial, mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial e especialista em Estomatologia.